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segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Tercetos de um Paradoxo

Tercetos de um Paradoxo

A natureza é contrastante
Produz a mais suave aragem
E o ciclone mais exorbitante

A natureza é extravagante
No arbusto, uma briófita na ramagem
E tão logo ao lado, uma sequoia gigante

A natureza é curiosa
Enquanto chove garoa fina e inspiradora
Castiga incólume uma enchente impiedosa

A natureza é um dilema
Pois tão oposta a si está a própria natureza
Que nos dá vida e cujo cuidado é nosso maior problema.

~Sauerale

terça-feira, 8 de junho de 2010

Coletânea de Poemas IV

Como solicitado por vocês, leitores, haverá uma maior frequência deste quadro poético. Espero que continuem otimistas com relação ao blog. Os postadores comunicaram alguns que voltarão à ativa brevemente. Pois bem, aguardo o retorno de vocês.

Um beijo

Foste o beijo melhor da minha vida,
ou talvez o pior...Glória e tormento,
contigo à luz subi do firmamento,
contigo fui pela infernal descida!

Morreste, e o meu desejo não te olvida:
queimas-me o sangue, enches-me o pensamento,
e do teu gosto amargo me alimento,
e rolo-te na boca malferida.

Beijo extremo, meu prêmio e meu castigo,
batismo e extrema-unção, naquele instante
por que, feliz, eu não morri contigo?

Sinto-me o ardor, e o crepitar te escuto,
beijo divino! e anseio delirante,
na perpétua saudade de um minuto....

(Olavo Bilac)

Pela Luz dos Olhos Teus

Quando a luz dos olhos meus
E a luz dos olhos teus
Resolvem se encontrar
Ai que bom que isso é meu Deus
Que frio que me dá o encontro desse olhar
Mas se a luz dos olhos teus
Resiste aos olhos meus só p'ra me provocar
Meu amor, juro por Deus me sinto incendiar
Meu amor, juro por Deus
Que a luz dos olhos meus já não pode esperar
Quero a luz dos olhos meus
Na luz dos olhos teus sem mais lará-lará
Pela luz dos olhos teus
Eu acho meu amor que só se pode achar
Que a luz dos olhos meus precisa se casar.

(Vinicius de Morais)


As Sem-Razões do Amor

Eu te amo porque te amo,
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.

Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no eclipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.

Eu te amo porque não amo
bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.

Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor.

(Carlos Drummond de Andrade)
Curtiram um pouco da poesia brasileira? Em breve, mais poemas!

terça-feira, 11 de maio de 2010

O Mundo das Poesias #7

Bem gente fui aceitado como postador aqui no Magia dos Textos e essa daqui é minha primeira postagem


E ai galera hoje estou aqui para falar de haikais, não sabem o que é? Vou explicar. Um haikai seria um pequeno poema oriental, de 3 versos que conta sobre um detalhe da natureza e metrificação (se não sabe o que é vou falar daqui a pouco) original 5/7/5, e pé na segunda casa do segundo verso, proposta por Guilherme de Almeida, um poeta brasileiro, aqui vai um exemplo de haikai dele:

Vê/ co/mo/ se_a/tra(5)/em
Nos/ fi(2)/os/ os/ pin/gos/ fri(7)/os!
E/ jun/tam/-se_._E/ ca(5)/em.

Essa teoria não precisa ser obedecida (muita gente não obedece) para escrever um haikai, olhe para o canto e veja a natureza. Agora se vocês não sabem vou falar sobre a metrificação. Um poema bom, é um poema metrificado. A rima não é necessária, só vão valoriza-lo se for metrificado. Quando você faz um poema, você conta da primeira sílaba, até a sílaba tônica da última palavra do verso, o número que for será a metrificação. Mas metrificar é difícil. A metrificação (número de sílabas até a sílaba tônica da última palavra de um verso) de um verso tem que ser igual aos outros. Outra coisa da metrificação é o pé. Por exemplo, antes da sílaba tônica da última palavra de um verso, se você achar uma sílaba tônica de uma palavra, conte quantas casas têm da primeira sílaba até essa, se esse número for igual em todos os versos, você adicionou pé.

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Coletânea de Poemas III

Como vão vocês? Bem, esta coletânea é diferente da que eu tinha planejado, mas acabo de ter acesso a alguns poemas que eu gostei muito e acho que tem a ver com nosso tema, por que estes autores, pelo menos no Brasil, são clássicos.
São só dois por que ainda posto outro amanhã:

Soneto da separação
Vinícius de Morais

De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.
De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama.


De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente.


Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente.

0 ACENDEDOR DE LAMPIÕES
Jorge de Lima

Lá vem o acendedor de lampiões da rua!
Este mesmo que vem infatigavelmente,
Parodiar o sol e associar-se à lua
Quando a sombra da noite enegrece o poente!

Um, dois, três lampiões, acende e continua
Outros mais a acender imperturbavelmente,
A medida que a noite aos poucos se acentua
E a palidez da lua apenas se pressente.

Triste ironia atroz que o senso humano irrita: -
Ele que doira a noite e ilumina a cidade,
Talvez não tenha luz na choupana em que habita,

Tanta gente também nos outros Insinua
Crenças, religiões, amor, felicidade,
Como este acendedor de lampiões da rua!



quarta-feira, 28 de abril de 2010

Coletânea de Poemas II

Bem, muitos aqui já conhecem marc perrault, um poeta que já foi postador do Magia dos Textos anteriormente e agora é o coletador de poemas oficial.

Ok. Pretendo começar mostrando a vocês poemas de autores que deveriam… como dizer… quem não lê esses autores deveria ser considerado analfabeto; e mostrando os contrastes entre esses autores. E se você quer fazer poesia, melhor acompanhar este quadro.


Bem, aqui vai o primeiro: T.S Elliot, que, você ache bom ou não, é um clássico. Vou postar um de seus poemas mais famosos, Terra Desolada, traduzido por Ivan Junqueira, em cinco postagens, cada uma contendo uma das cinco partes do mesmo.

A primeira se chama “O enterro dos mortos”. Eu sei que tem linguagem formal e complicada, mas pensem no conhecimento que vocês adquirirão lendo. Além do mais, o poema é ótimo.

I. O ENTERRO DOS MORTOS

Abril é o mais cruel dos meses, germina
Lilases da terra morta, mistura
Memória e desejo, aviva
Agônicas raízes com a chuva da primavera.
O inverno nos agasalhava, envolvendo
A terra em neve deslembrada, nutrindo
Com secos tubérculos o que ainda restava de vida.
O verão nos surpreendeu, caindo do Starnbergersee
Com um aguaceiro. Paramos junto aos pórticos
E ao sol caminhamos pelas aléias do Hofgarten,
Tomamos café, e por uma hora conversamos.
Bin gar keine Russin, stamm' aus Litauen, echt deutsch.
Quando éramos crianças, na casa do arquiduque,
Meu primo, ele convidou-me a passear de trenó.
E eu tive medo. Disse-me ele, Maria,
Maria, agarra-te firme. E encosta abaixo deslizamos.
Nas montanhas, lá, onde livre te sentes.
Leio muito à noite, e viajo para o sul durante o inverno.
Que raízes são essas que se arraigam, que ramos se esgalham
Nessa imundície pedregosa? Filho do homem
Não podes dizer, ou sequer estimas, porque apenas conheces
Um feixe de imagens fraturadas, batidas pelo sol,
E as árvores mortas já não mais te abrigam, nem te consola o
canto dos grilos,
E nenhum rumor de água a latejar na pedra seca. Apenas
Uma sombra medra sob esta rocha escarlate.
(Chega-te à sombra desta rocha escarlate),
E vou mostrar-te algo distinto
De tua sombra a caminhar atrás de ti quando amanhece
Ou de tua sombra vespertina ao teu encontro se elevando;
Vou revelar-te o que é o medo num punhado de pó.
Frisch weht der Wind
Der Heimat zu
Mein Irisch Kind,
Wo weilest du?
"Um ano faz agora que os primeiros jacintos me deste;
Chamavam-me a menina dos jacintos."
- Mas ao voltarmos, tarde, do Jardim dos Jacintos,
Teus braços cheios de jacintos e teus cabelos úmidos, não pude
Falar, e meus olhos se enevoaram, eu não sabia
Se vivo ou morto estava, e tudo ignorava
Perplexo ante o coração da luz, o silêncio.
Oed' und leer das Meer.
Madame Sosostris, célebre vidente,
Contraiu incurável resfriado; ainda assim,
É conhecida como a mulher mais sábia da Europa,
Com seu trêfego baralho. Esta aqui, disse ela,
É tua carta, a do Marinheiro Fenício Afogado.
(Estas são as pérolas que foram seus olhos. Olha!)
Eis aqui Beladona, a Madona dos Rochedos,
A Senhora das Situações.
Aqui está o homem dos três bastões, e aqui a Roda da Fortuna,
E aqui se vê o mercador zarolho, e esta carta,
Que em branco vês, é algo que ele às costas leva,
Mas que a mim proibiram-me de ver. Não acho
O Enforcado. Receia morte por água.
Vejo multidões que em círculos perambulam.
Obrigada. Se encontrares, querido, a Senhora Equitone,
Diz-lhe que eu mesma lhe entrego o horóscopo:
Todo o cuidado é pouco nestes dias.
Cidade irreal,
Sob a fulva neblina de uma aurora de inverno,
Fluía a multidão pela Ponte de Londres, eram tantos,
Jamais pensei que a morte a tantos destruíra.
Breves e entrecortados, os suspiros exalavam,
E cada homem fincava o olhar adiante de seus pés.
Galgava a colina e percorria a King William Street,
Até onde Saint Mary Woolnoth marcava as horas
Com um dobre surdo ao fim da nona badalada.
Vi alguém que conhecia, e o fiz parar, aos gritos: "Stetson,
Tu que estiveste comigo nas galeras de Mylae!
O cadáver que plantaste ano passado em teu jardim
Já começou a brotar? Dará flores este ano?
Ou foi a imprevista geada que o perturbou em seu leito?
Conserva o Cão à distância, esse amigo do homem,
Ou ele virá com suas unhas outra vez desenterrá-lo!
Tu! Hypocrite lecteur! - mon semblable -, mon frère!"


O segundo poema que vou colocar para vocês aqui hoje é de Lewis Carrol (sim, o de Alice), e se chama A morsa e o carpinteiro. Eu infelizmente não sei de quem é essa tradução, pois não encontrei a que queria. Assim que encontrar, prometo substituir. Apreciem:


O Sol rebrilhava feliz sobre o mar,
Brilhava em pleno poder;
Feroz procurava as ondas tornar
Brilhantes também e tranquilas correr -
E isso era estranho, porém, ao se ver
Que era meio da noite!

A Lua brilhava também, amuada,
Porque achava que o Sol
Não tinha motivos para fazer nada
Depois do crepúsculo, antes do arrebol -
"Mas que grosseria!" - dizia - " um farol
Atrapalhar meu plantão!"
O Mar era úmido e todo molhado
As areias eram secas, porém,
Não se via uma núvem no céu estrelado
Porque não saíram as núvens também -
E as aves não piam, as aves não vêem
Que o Sol retornou!

A Morsa marchava ao longo da praia,
Ao lado do Carpinteiro;
Choravam ao ver quão extensa era a raia
De areias aos montes, num grande terreiro -
"Vão ter de chamar o carroção do pedreiro
E fazer um aterro!"

"Se sete criadas com sete esfregões
Varressem metade de um ano" -
Indagou a Morsa - "estes areiões
Poderiam ser limpos pelo esforço humano?" -
Falou o Carpinteiro "Descreio do plano" -
Soltando uma lágrima triste!

"Vinde, Ostras queridas, conosco passear!"
-A Morsa gentil convidou.
"Um passeio agradável, à beira do mar,
Na praia salgada que o vento agitou." -
"Subam quatro somente" - depois ajuntou -
"E todos daremos as mãos!"

A Ostra mais velha apenas olhou,
Sem nem ao menos falar;
A Ostra mais velha seus olhos piscou,
Meneando a cabeça, como a revelar -
Que o leito das ostras não ia deixar
No fundo do Oceano!

Mas quatro das Ostras mais jovem subiram,
Ansiosas pelo passeio:
Lavaram o rosto, os cascos vestiram,
De sapatos lustrados, sem terem receio -
De mostrar por este ou qualquer outro meio
Que nem tinham pés!

E logo quatro das Ostras nadaram
E mais outras quatros surgiram;
Em um bando radiante a areia alcançaram
E outras e outras a praia atingiram -
Saltaram as ondas, à margem subiram,
Dançando em folia!

A Morsa avançou, junto ao Carpinteiro:
Quilômetros e meio marcharam
Juntaram um monte de pedras primeiro
E uma espécie de mesa depois prepararam -
Ao redor as Ostrinhas também se assentaram
Esperando uma história!

A Morsa exclamou: "A hora é chegada!
Temos mil coisas para conversar:
Sapatos, veleiros e cera encarnada
E lacre e repolhos e Reis proclamar! -
Porque esta noite fervente está o mar
E os porcos criaram asas!"

"Esperem um momento!" - As Ostras gritaram -
"Depois iniciamos a conversação:
Estamos sem fôlego, nossos pés se cansaram,
Nós somos gordinhas - tenham compaixão!" -
Falou o Carpinteiro: "Esperamos, pois não?!"
E as Ostras agradeceram!

"Precisamos agora de uma bisnaga de pão" -
Disse a Morsa, contente.
"Pimenta e vinagre na palma da mão
E um pouco de sal, que se espalha frequente -
E agora, se está pronta a assembléia presente,
Começamos a comer!"

As Ostras gritaram: " Vão nos devorar?
Não façam! Piedade!
Nós somos amigas! Não podem matar
Depois da conversa e passeio: é maldade! -
E a Morsa responde, com sinceridade:
"Gostaram da vista, não foi?"

"A sua visita nos deu muito prazer,
Foi uma delícia este dia!"
O Carpinteiro contentou-se em dizer:
"Por mim está ótimo -outro assim me servia -
Por favor, me corte mais uma fatia:
Eu quero mais pão!"

A Morsa falou: " Estou envergonhada,
Foi um truque cruel!
Trazê-las aqui, nesta caminhada,
Cmo se fossem pelotão de quartel" -
E o Carpinteiro limpou num papel
As mãos sujas de manteiga!

"Chorei por vocês" - a Morsa falou - "Com profunda simpatia".
Aos soluços, fungando, ela devorou
As Ostras maiores que via! -
E, nos intervalos, seu lenço trazia
E secava suas lágrimas!

" Ostrinhas queridas" - falou o Carpinteiro -
"Pra mim este dia foi muito feliz!
E, agora, voltemos pra casa ligeiro!..."
Mas nenhuma resposta se escuta ou se diz -
Aquelas que o bom Carpinteiro não quis,
Foram todas comidas pela Morsa primeiro!...



Agora, Shakespeare. William Shakespeare, famoso dramaturgo inglês, também é um famoso poeta. Vejam um dos sonetos dele (pretendo postar mais):


SONETO LXV
Se a morte predomina na bravura
Do bronze, pedra, terra e imenso mar,
Pode sobreviver a formosura,
Tendo da flor a força a devastar?
Como pode o aroma do verão
Deter o forte assédio destes dias,
Se portas de aço e duras rochas não
Podem vencer do Tempo a tirania?
Onde ocultar - meditação atroz -
O ouro que o Tempo quer em sua arca?
Que mão pode deter seu pé veloz,
Ou que beleza o Tempo não demarca?
Nenhuma! A menos que este meu amor
Em negra tinta guarde o seu fulgor.


sábado, 17 de abril de 2010

Coletânea de Poemas I

Fala gente! Esse "quadro" vai coletar 3 poemas de diferentes autores toda a semana! Assim, você perceberá as diferenças do estilo de cada um.

Diz Toda a Verdade

Diz toda a Verdade mas di-la tendenciosamente -
O êxito está no Circuito
É demasiado brilhante para o nosso enfermo Prazer
A esplêndida surpresa da Verdade

Como o Relâmpago se torna mais fácil para as Crianças
Com uma amável explicação
A Verdade deve ofuscar gradualmente
Ou cada homem ficará cego -


(Emily Dickinson)

SONETO LXXXVIII


Quando me tratas mau e, desprezado,
Sinto que o meu valor vês com desdém,
Lutando contra mim, fico a teu lado
E, inda perjuro, provo que és um bem.


Conhecendo melhor meus próprios erros,
A te apoiar te ponho a par da história
De ocultas faltas, onde estou enfermo;
Então, ao me perder, tens toda a glória.


Mas lucro também tiro desse ofício:
Curvando sobre ti amor tamanho,
Mal que me faço me traz benefício,


Pois o que ganhas duas vezes ganho.
Assim é o meu amor e a ti o reporto:
Por ti todas as culpas eu suporto.

(Sir William Shakespeare)


Na Luz

De soluço em soluço a alma gravita,
De soluço em soluço a alma estremece,
Anseia, sonha, se recorda, esquece
E no centro da Luz dorme contrita.


Dorme na paz sacramental, bendita,
Onde tudo mais puro resplandece,
Onde a Imortalidade refloresce
Em tudo, e tudo em cânticos palpita.


Sereia celestial entre as sereias,
Ela só quer despedaçar cadeias,
De soluço em soluço, a alma nervosa.


Ela só quer despedaçar algemas
E respirar nas amplidões supremas,
Respirar, respirar na Luz radiosa.


(João da Cruz e Souza)


Gostaram? Comentem!
~Sauerale

domingo, 21 de março de 2010

Ausência

Não, não é mais um poema
Embora gostaria eu que o fosse
Mas devo me ausentar por algum tempo
Pois é, acabou-se o que era doce

Tenho de dedicar-me ao meu blog
E pra quem quiser visitar,
O endereço é esse:
palavrapoetica.wordpress.com, vai lá!

Prometo voltar em Abril
Com 7 posts por semana ou mais
Me esforçarei nesse mês
Farei de tudo para compensar

A ausência.
Me desculpem.

marc perrault

terça-feira, 9 de março de 2010

Poesia Hi-Tech

Veio a tecnologia
Perdeu-se então a poesia
E nós, ironicamente, tão indiferentes!
Que desapropriado!

Gostaria de saber,
Prezado Senhor Secretário,
Quando eu poderei ver,
Da minha mesa de jantar,
Versos, versos a voar!
Em tecnologia 3D.

Gostaria, e com razão,
De ver poemas na TV
Em alta definição.
Quero também saber,
Quando verei, sem desfoque
Estrofes sensíveis ao toque.

segunda-feira, 1 de março de 2010

Saudade

Ah, por quê
Vai-se a lembrança e o poder?
E por que se vão as estrelas?
E por que se foi você?

E, por quê
Vem a distância e vai-se o saber?
E por que somos tão distantes?
Ah, saudade de você!

Oh, por quê
Por que eu não posso te ver?
Por que não viajar num navio qualquer?
Só para que eu possa abraçar você!

O porquê,
É que sem a saudade não dá pra viver
Ela nos sustenta, nos permite amar
Eu ― e você

Tenho dó daquele que não tem saudade,
Pois sem sentimento não há verdade.

_______________________________
Esse é um dístico Shakesperiano de minha autoria.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

O Mundo das poesias #6

Sim, ele voltou.
Como eu prometi no último post, vamos ver literatura de cordel hoje.


A literatura de cordel originalmente é cantada. Muito comum e, cidades do interior, ela carrega uma peculiar curiosidade: os poemas eram escritos em folhetos e pendurados, para serem vendidos, em barbantes pela rua. Daí o nome cordel (cordão).


O tipo de cordel mais comum é a sextilha, em que cada estrofe tem 6 versos.
Vejam um exemplo:




Grande gênio da escultura
Em Minas ele nasceu
O apelido Aleijadinho
Dos humanos recebeu
Sua vida transcorrida
Ao leitor, já escrevo eu.




O esquema, nessa e em quase todas as sextilhas de cordel, é ABCBDB, ou seja, o segundo, o quarto e o sexto versos rimam.


IMPORTANTE: TODO verso de cordel, SEM EXCEÇÕES, deve ter 7 sílabas poéticas. 7. Nem 6 nem 8. 7.




Existem também:
- as quadras (4 versos - ABCB, ABAB ou ABBA)
- as septilhas (7 versos - ABCBDDD)
- as oitavas (8 versos - AAABBCCB)
- as décimas (10 versos, ABBAACCDDC).




Foi isso.




Fez um cordel ou qualquer outra poesia? Envie para suporte.magiatextos@gmail.com!




marc perrault

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Post 2 em 1 - Androginas - Shakespeare

Olá!!

Já que o assunto é mitologia grega, vou contar para vocês, nas minhas palavras, o curioso Mito dos Andróginas:

Diz a lenda, que, no começo, existiam os homens, as mulheres, e os andróginas. Mas todos estes eram composto por dois seres humanos de hoje,com as costas coladas uma na outra e as cabeças fundidas. As fêmeas eram formadas por duas mulheres. Os machos, por dois homens. E, por fim, os andróginas, mistos, e em maior quantidade, eram formados por um homem e uma mulher, colados um no outro. Todos esses tinham o corpo arredondado e rolavam, de forma que eram muito rápidos e agéis. Eram também muito inteligentes (como diz o ditado, "duas cabeças pensam melhor que uma"), principalmente os andróginas, que tinham simultaneamente a sabedoria masculina e a feminina. Mas Zeus, o deus dos deuses, não estava gostando nada disso. Nada mesmo. Aquelas criaturinhas estavam quase se igualando a ele, todo-poderoso. Então ele fez uma coisa terrível: cortou todos ao meio. Apolo, outro deus, filho de Zeus e Leto, fez o favor de curar os ferimentos e tirar o arredondado que era nosso corpo. Agora todos vivemos embusca de nossa alma gêmea, nosso par andrógina. Mas os antigos humanos cujo par era de seu mesmo sexo, são os homossexuais de hoje. E o pior é que Zeus disse que se começarmos a ficar tão espertos novamente, ele corta de novo, numa linha vertical, nosso corpo. Imagina só!



Este foi o mito dos andróginas.
_______________________________________________________

Agora, mudando de assunto (como vocês viram, é um post dois em um), Vamos falar sobre Shakespeare! Sim, ele mesmo, William Shakespeare, o famoso dramaturgo inglês, autor de famosas peças como Hamlet, Romeu e Julieta e Otelo.
É sobre ele que vamos falar. Mais precisamente, sobre seu túmulo. Sua lápide. Shakespeare mandou que escrevessem uma maldição nela.

Vejam só, como está escrito, em inglês arcaico:


Good frend for Iesvs sake forbeare,
To digg the dvst encloased heare.
Blest be ye man yt spares thes stones,
And cvrst be he yt moves my bones.


Em inglês atual:

Good friend for mercy's sake forbear,
To dig the dust enclosed here.
Blessed be the the man that spares these stones,
And cursed be he that moves my bones.


E, finalmente, o que eu queria mostrar para vocês: a tradução em português com rimas:

Amigo, evite, por Jesus sagrado,
De cavar o pó aqui enterrado
Abençoado qum poupar estes destroços
E amaldiçoado quem mover meus ossos


Legal, não? Achei a tradução e a frase muito boas. Era só isso,

marc perrault

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Tempo

Passa segundo, passa minuto, passa hora, passa dia, passa semana, passa quinzena, passa mês, passa bimestre, passa semestre, passa ano, passa biênio, passa década, passa século, passa milênio. Passa até acabar. Passa até chegar.


Novo presidente, novo campeão, nova gente, nova tecnologia, nova cultura, nova fala, novo povo, nova ivenção, novo vestuário, novo corpo, nova evolução, novo tempo.

Passa geração, passa tradição, passa costume, passa guerra, passa paz, passa harmonia, passa fantasia, passa extermínio, passa glória, passa tristeza, passa alegria.

Foi o nascimento, foi o maternal, foi a pré-escola, foi o fundamental, foi o ensino médio, foi o vestibular, foi o namoro, foi a formatura, foi o casamento, foi a casa própria, foi o carro novo, foi o filho, foi-se o filho, foi a aposentadoria, foi o neto, foram-se os problemas de saúde, foi-se a vida.

Foi-se a emoção, foi-se a paixão, foi se o vivido, foi-se rápido, foi-se lento, foi-se o tempo.

Poesia

motivo ―
descarga abalante ―ambulante ―
de maliciosos pensamentos pseudointelectuais ―
tão apáticos ―
objetivo ― tão passivo ―
não se pronunciará ―
porque o que há ―
circunstância ― instância de belos, odiáveis pensamentos;
porque ―e esse o porquê do lindo saber ― quando não há um texto ―
ou até mesmo um contexto ―
não há um tudo,
ou mesmo um nada,
ou mesmo um meio-termo ―
com hífen, ou sem ― e além ―
não há um alguém ou um ninguém ―
porque tudo haverá de ser apenas se um oposto for ―
lá.




por marc perrault.




________________
Sau,
concordo com o CD. Acho que um novo template cairia muito bem. Por questões de funcionalidade.
a meu ver, uma só barra lateral facilita a leitura, há mais espaço para o texto. Obrigado.

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Peixe

Nadar. O peixe só faz uma coisa:
Nada por nadar,
Nada por viver,
Nada por morrer.

E é um nado interessante.
Um nado curioso.
Um nado meio sem rumo,
Mas um nado precioso.

Peixe foge do tubarão,
Escapa do pescador...
Enfrenta outro peixão,
Enfrenta tudo quanto é predador.

Peixe desova, larga os ovos...
Aposta na sorte.
Os peixinhos terão destinos pavorosos.
Mas sobreviver deve ser seu forte.

Não quero nem saber de comer meu peixe.
Depois de uma vida bem suada,
Mesmo que minha mãe não deixe.
Não como a bacalhoada.

~Sauerale

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

O Mundo das Poesias #5

[poemas.png]

Bom dia!

Hoje aprenderemos sobre sílabas poéticas. Elas são muito inportantes para estruturar um poema, pois vários modelos de poema pedem um número exato de sílabas poéticas em cada verso. Também aprenderemos sobre rima.


Sílabas poéticas

A contagem das sílabas poéticas se distingue da contagem das sílabas gramaticais.

Veja, analise e aprecie essa estrofe de um Soneto Italiano de Gregório de Matos:


Se uma ovelha perdida e já cobrada

Glória tal e prazer tão repentino

Vos deu, como afirmais na sacra história


Vamos ver o primeiro verso da estrofe separadamente:


Se uma ovelha perdida e já cobrada


Vamos dividí-lo em sílabas gramaticais:


Se – u – ma – o – ve – lha – per – di – da – e – já – co – bra – da [14]


Agora em sílabas poéticas:


Se u – ma o – ve – lha – per – di –da e – já – co –bra [10] (da)


Existem três regras básicas para a contagem de sílabas poéticas:

  • Só contam as sílabas dos versos até a última tônica.
  • Quando uma palavra terminar por vogal átona e a palavra seguinte começar por vogal, também átona, as sílabas que contêm essas vogais constituirão em uma só sílaba poética.
  • Os hiatos podem se transformar em ditongos e estes, embora com menos freqüência, em hiatos. Quando uma palavra termina por M e a seguinte começa com vogal, pode haver o desaparecimento da consoante; teremos, então, a figura poética chamada elipse.


Rima

Vou falar apenas um pouco sobre a rima nos poemas, depois faço um post mais avançado:

Nos poemas, classificamos a rima com letras: as letras são iguais quando os versos rimam e são diferentes quando estes não rimam:

verbi gratia*

/A/O homem que rima em tudo

/A/É estúpido e carnudo

(poema inventado por mim neste instante especialmente para esse fim.)

/A/Como estaria vendo na Bahia,

/B/Que das cortes do mundo é vil monturo,

/A/O roubo, a injustiça, a tirania?

(Gregório de Matos)

Vamos analisar um poema (depois transformado em música) de Caetano Veloso:

Oração ao tempo

És um senhor tão bonito
Quanto a cara do meu filho
Tempo tempo tempo tempo
Vou te fazer um pedido
Tempo tempo tempo tempo...


Compositor de destinos
Tambor de todos os rítmos
Tempo tempo tempo tempo
Entro num acordo contigo
Tempo tempo tempo tempo...


Por seres tão inventivo
E pareceres contínuo
Tempo tempo tempo tempo
És um dos deuses mais lindos

Tempo tempo tempo tempo...


Que sejas ainda mais vivo
No som do meu estribilho
Tempo tempo tempo tempo
Ouve bem o que te digo
Tempo tempo tempo tempo...


Peço-te o prazer legítimo
E o movimento preciso
Tempo tempo tempo tempo
Quando o tempo for propício
Tempo tempo tempo tempo...


De modo que o meu espírito
Ganhe um brilho definido
Tempo tempo tempo tempo
E eu espalhe benefícios
Tempo tempo tempo tempo...


O que usaremos prá isso
Fica guardado em sigilo
Tempo tempo tempo tempo
Apenas contigo e comigo
Tempo tempo tempo tempo...


E quando eu tiver saído
Para fora do teu círculo
Tempo tempo tempo tempo
Não serei nem terás sido
Tempo tempo tempo tempo...


Ainda assim acredito
Ser possível reunirmo-nos
Tempo tempo tempo tempo
Num outro nível de vínculo
Tempo tempo tempo tempo...


Portanto peço-te aquilo
E te ofereço elogios
Tempo tempo tempo tempo
Nas rimas do meu estilo
Tempo tempo tempo tempo...

Observem que, como em muitos outros poemas, esse tem um padrão de rima em cada verso. O padrão nesse caso é:

A

A

B

A

B

Há ainda modelos de poemas, como o dístico e o cordel, que apresentam um modelo de rima. O modelo do dístico é AA. Estudaremos o cordel no próximo post.

Obrigado,

marc perrault

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

O Mundo das Poesias #4

[poemas.png]
Hoje estudaremos o Soneto. O soneto tem 3 tipos. Mas antes de entrar neles, vamos ter em mente as seguintes noções.
  • O dístico (como o marc já havia postado) é uma estrofe com 2 versos.
  • O terceto é uma estrofe com 3 versos.
  • O quarteto ou quadra é uma estrofe com 4 versos.
Soneto Italiano

É o tradicionalíssimo soneto. Se você fala só soneto, está falando no Soneto Italiano. Ele é composto por uma sequência de 2 quartetos e 2 tercetos, respectivamente.

SONETO DA FIDELIDADE

De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.
(Vinícius de Moraes)

Soneto Inglês

O Soneto Inglês pode também ser chamado de
Shakespeareano, por ter sido criado pelo dramaturgo inglês William Shakespeare. Ele é composto por 3 quartetos e 1 dístico.

Ele é bonito porque no dístico o autor fortalece a mensagem ou sentimento da poesia.

AH MULHER...

Ah, mulher... Não sabes o quanto eu te amo...
Como aparei das pedras as arestas
Rasguei o abraço de úmidas florestas
Me dessedentei no amor que proclamo:


Venham sobre minh’alma os julgamentos
Meu castelo é de cristais transparentes
Devasso o peito, teus beijos de dentes
Meu indulto, inequívocos sentimentos!


Ah, mulher... Com que loucura desejo
Descer ao ápice do teu abismo
E nos teus escuros ver-me sem pejo
Qual bicho amante, cheirando teu sismo.


E pacificado, de um grito ledo
De um verso último, branco e vigoroso
Largar-me em tua vertente, cioso
Só, ciente, senhor do teu levedo.


Ah, mulher... Exala essa paz de amada
Cuja estrela se me esvai... Saciada.

(Sem Autoria)


Soneto Monostrófico


Como o próprio nome sugere (mono quer dizer UM), o Soneto Monostrófico é composto por uma única estrofe de 14 versos. não é muito usual, pois não oferece nenhuma harmonia visual de nossos olhos.


SONETO MONOSTRÓFICO SOBRE O AMOR.


Amar é ter calhado em sorte

De viver abraçado à morte
E em lúdico beneplácito
Envolver-se banhando na lava
E deitando fora o básico
Corroer-se no ácido
Porque o amor não é neutro
E se encontra água gelada
Torna-se ilha vulcânica
Dura, porém orgânica
Que traz latente no ventre
A chama da lava ardente.
Em fase adormecida
Mas explosão eminente.
(Mário Quintana)

Entenderam?
~Sauerale

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

O mundo das Poesias #3

Dístico é um poema que se constitui de dois versos rimados, e apenas isso. Fiz um dístico para exemplificar, não está muito bom, mas, é isso:

Cometa é avião que passa
Carrega a noite e me enlaça

O dístico não tem um número padrão de sílabas poéticas para cada verso (no próximo post falarei sobre sílabas poéticas), por isso é muito fácil aprender sua estrutura.

Mudando de assunto, vamos ver mais um poema da Emily Dickson:


I died for Beauty ― but was scarce
Adjusted in the Tomb
When One who died for Truth, was lain
In an adjoining Room ―

He questioned softly: “Why I failed”?
“For Beauty”, I replied ―
“And I ― for Truth ― Themself are One
We Brethren, are”. He said ―

And so, as Kinsmen, met a Night ―
We talked between the Rooms ―
Until the Moss had reached our lips ―
And covered up ― our names


Tradução por Augusto de Campos


Morri pela Beleza ― e assim que no jazigo
Meu corpo foi fechado
Morri pela Beleza ― e assim que no jazigo
Meu corpo foi fechado
Um outro Morto foi depositado
Num túmulo contíguo ―

“Por que morreu?” murmurou sua voz
“Pela Beleza” ― retruquei ―
“Pois eu ― pela Verdade ― É o mesmo. Nós
Somos Irmãos. É uma só lei”

E assim Parentes pela Noite, sábios ―
Conversamos a Sós ―
Até que o musgo encobriu nossos lábios ―
E ― nomes ― logo após


P.S.: Vou postar uma vez por dia, à noite, e nesse post diário incluirei tudo e todos os assuntos, todos os poemas que me ocorreram durante o dia, todas as lições de poesia, tudo. Acho melhor do que fazer vários posts, desorganizando assim o blog.

P.P.S.: marc perrault viajará para a Europa, essa quinta-feira, mas não deixará de postar, pois usará notebook.


P.P.P.S.: P.S. significa POSTSCRIPTUM, expressão latina que significa "depois do escrito"



Obrigado,

marc perrault