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terça-feira, 13 de abril de 2010

Euclides - A Vida vista por um Papagaio

Ó, pobre de mim, que teve as asas cortadas e instantaneamente engaiolado em um cubículo em que mal as asas posso abrir. Por quê? Por qual motivo estou aqui? Se a ninguém eu matei, se a ninguém fiz mal, se a ninguém ofendi. Por que estou aqui?

Tempos remotos atrás, eu era um papagaio contente, serelepe, que acabara de aprender a magia do voo. Estava todo feliz, pois é a sensação única de você sentir o gosto da liberdade. Ah, doce liberdade.

Se ao menos pudesse experimentar mais um pouco da liberdade. Se ao menos aqueles que me capturaram tivessem o bom senso de ver que eu sou um bicho. Um bicho que tem sentimentos. Um bicho que tem uma vida para viver. "Um bicho".

Malditos sejam os humanos insensíveis e cruéis que trancafiam animais livres em gaiolas e jaulas precárias e ridículos. Malditos sejam aqueles que não se imaginam em meu lugar, que tem o gosto da liberdade. Mas que reserva-a para si mesmo. Que não respeita a dos outros. Que só pensa em si mesmo.

O destino que os castigue, pois minha vida está arrasada. Arruinaram-na. Paciência. Mando ao inferno aqueles que merecem sua devida consequência. Mando ao céu, aquele, que ao menos tentar, conseguir salvar minha vida.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Tempo

Passa segundo, passa minuto, passa hora, passa dia, passa semana, passa quinzena, passa mês, passa bimestre, passa semestre, passa ano, passa biênio, passa década, passa século, passa milênio. Passa até acabar. Passa até chegar.


Novo presidente, novo campeão, nova gente, nova tecnologia, nova cultura, nova fala, novo povo, nova ivenção, novo vestuário, novo corpo, nova evolução, novo tempo.

Passa geração, passa tradição, passa costume, passa guerra, passa paz, passa harmonia, passa fantasia, passa extermínio, passa glória, passa tristeza, passa alegria.

Foi o nascimento, foi o maternal, foi a pré-escola, foi o fundamental, foi o ensino médio, foi o vestibular, foi o namoro, foi a formatura, foi o casamento, foi a casa própria, foi o carro novo, foi o filho, foi-se o filho, foi a aposentadoria, foi o neto, foram-se os problemas de saúde, foi-se a vida.

Foi-se a emoção, foi-se a paixão, foi se o vivido, foi-se rápido, foi-se lento, foi-se o tempo.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Lápis: Os 2 lados de uma Vida no Papel

Risc... Risc... Essa é a minha vida. Remédio? Nenhum. Estarei condenado pelo resto da vida para escrever uma história que pode ser tanto uma redação da escola quanto um best-seller ou algum clássico que fará sucesso estrondante. Depende do destino. Risc... Risc... A ponta quebra. Continuo? Mete-me no apontador. Aponta-me. Risc... Risc... São as rabiscadas de um rascunho, no qual eu me desgasto todo para ser apenas um esboço de uma ideia, que talvez nem tenha solução.

Risc... Risc... São as rabiscadas de uma complicada fórmula matemática, que poderá revolucionar as leis da física ou apenas solucionar uma questão de vestibular. Risc... Risc... É o médico escrevendo uma receita, que poderá salvar alguém do câncer, ou apenas curar uma simples gripe.

Risc... Risc... São riscos de um engenheiro que poderá construir uma formosa ponte ou então, simplesmente um projétil abandonado. Risc... Risc... É um professor anotando as notas de um aluno que poderá passar de ano, ou quem sabe, uma simples rabiscaria para preparar a aula.

Risc... Risc... Minha vida baseia-se nisso. Tanto faz se eu ajudei o homem a ir para Marte ou se servi para uma meiga menina fazer um desenho para seus pais. Estarei condenado a isto. É o destino. E ele eu tenho que cumprir.
http://www.frutodearte.com.br/images/lapis%20graduado%20s2.jpg
Gostaram da história? Comentem!
~Sauerale

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

O Barco

Transporto pessoas, cargas e até mesmo animais. Grande contêiner e até mesmo 3 dúzias de carro fazem parte de meu dia-a-dia. O mar, salubre azul-celeste, exibe sua extravagante beleza pela qual eu vivencio todos as horas de um dia, todos os dias de uma semana, todas as semanas de um mês, todos os meses de um ano, todos os ano de uma, se é que posso dizer, vida.

Gaivotas, sol, céu. Pode ser um cenário perfeito para as pessoas. Mas para mim, não. É como se fosse uma prisão. Uma vocação pela qual eu jamais teria desejado. Não posso compartilhar meus pensamentos. Minha única noção do mundo é o sorriso de uma modelo, a tristeza de um viúvo, o suor de um desportista, o choro de um bebê.

Pesadas cargas, insolentes passageiras. Jamais poderão sentir a dor que eu sinto. Jamais poderão saber como são minha vida e sentimentos porque eu não tenho. Simplesmente não tenho.

Não sei se fiz algo numa encarnação passada, se fui condenado a este destino nem se eu matei alguém. Só sei que esta incumbência me mata mais a cada dia. E digo aos meus descendentes ou usuários: este é um segundo inferno, não queira ser barco.

~Sauerale

P.S.: Este é o primeiro Drama do Blog!